ESCATOLÓGICO
ESCATOLÓGICO
Uma angustia súbita apertou-me o peito, abri a janela, o sol avermelhado parecia envolvido por uma poeira cósmica. Os ventos não tinham direção, as birutas indecisas rodopiavam para todos os lados, ora estava a sudeste, ora a nordeste, ora girando no próprio eixo como seu vento vinha de cima e ou de baixo com a força vertical.
Os pássaros que voavam no céu eram apenas pontinhos negros, porque ao longe não se podiam distinguir as cores, junto iam as galinhas com seu vôo pesado, até o João de Barro abandonou a sua casinha... Todos voavam numa mesma direção em formação harmoniosa, assim se foram desaparecendo no horizonte...
Os cachorros sempre alertas a tudo murchavam as orelhas uivando com as caudas entre as pernas, e com olhar de despedida iam junto com outros animais que em manadas corriam todos na mesma direção dos pássaros, aos poucos a natureza silenciava.
Apenas os peixes continuavam nadando rio acima, ou rio abaixo, nos mares ou oceanos, porque também eram como os racionais, "o grande" comia os pequenos, e por causa dessa peleja não percebiam que os rios estavam morrendo, que as águas estavam ficando turvas, que suas vidas corriam risco, e tarde demais só lhes restariam as "margens"...
Nas ruas as pessoas corriam apressadas perseguindo algo que nunca encontrariam, e não percebiam as mudanças no mundo, com isso o perigo do progresso humano que os faziam julgarem-se inteligentes, mas não sábios, correndo o risco de esquecerem-se de Deus.
Assim como sempre os últimos a perceber o que acontecia em volta de si, agora percebiam, doenças misteriosas e incuráveis pipocavam a todo canto, olhavam os céus assustados e não entendiam se aqueles eventos eram cósmicos ou messiânicos, e descobririam sua pequenez diante do universo: um ao lado do outro, os inimigos, os pobres e os ricos, aquele um e aquele outro, os de pouca idade, os de muita idade para cá ou para lá, os que viviam brigando por quase nada, ou por nada, descobririam que as fortunas ou suas tecnologias arrogantes e escravagistas não teriam importância diante do caos...
Aquele desespero generalizado e incontrolável fazia luz nas suas cegueiras, enquanto isso os animais iam todos para o horizonte, voando, andando, todos tranqüilos em ordem. E eles os racionais indagavam-se, uns pela primeira vez, outros já o tinham feito porem somente a si próprio, alguns sentados no chão com o rosto entre as mãos abandonavam-se porque tudo parecia perdido, seria o fim...?
Na natureza agonizante morria as flores e o verde, as cores foram sumindo, agora todos relembravam da sua beleza diante daquela imensa feiúra, e eles como os reis tiranos dominaram e ficaram sozinhos, agora fracos e a centenas ajoelhavam-se aos gritos:- "Meu Deus" - e desabavam-se um nos braços dos outros, haviam compreendido! Um vácuo nas suas lembranças _ e tudo teriam reiniciado...
Assim no horizonte, um pequeno ponto denunciava a volta de um pássaro, depois outros, os cachorros voltavam latindo abanando as caudas, e as manadas de outros animais. O verde foi rebrotando, uma flor? Olhem uma flor, mais e tão pequena!O céu voltou a ficar azul, as nuvens já pontilhavam aqui e acolá e uma nova terra nascia com sua brisa suave sem o cheiro acido e seco... Ouvia-se o murmúrio de um riacho, cânticos de felicidade ouviam-se de todo canto.
Nosso Senhor Deus havia devolvido nosso presente, MAIS UMA CHANCE. "Eu nunca te deixarei nem desampararei" (Hebreus 13,5)
Categoria: FICÇÃO/CRÔNICAS...
Postado por Rivaldo R.Ribeiro às 22h51
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DESEQUILÍBRIO NA NATUREZA
DESEQUILÍBRIO NA NATUREZARivaldo R Ribeiro.
Jogaram lixo nos rios, nas ruas, no céu, devastaram as florestas, tornaram o solo poroso em rocha maciça, construíram mansões seguras: contra os ventos, os ladrões, os pobres, os que têm fome, o calor, o frio, as chuvas...
Mas o mundo é um só, não existe outro planeta ao nosso alcance, nenhum ponto é seguro contra os desastres na natureza, o desequilibro ecológico atingi a todos: culpados e inocentes. Ricos e pobres.TODOS.
As chuvas quando chegam é como se uma Foz de Iguaçu despejasse suas águas sobre nossas cabeças, os ventos que eram como brisas sopram com uma força incomum, trovões fazem tremer as vidraças, as paredes, e os raios ilumina o céu escuro como trevas apocalípticas.
As ruas tornam-se rios de corredeiras com as águas sujas pela terra, pelo esgoto, pelos restos dos ricos e pobres, e descem as ladeiras com uma força descomunal arrastando tudo a sua frente: coisas de muito valor e de pouco valor, mas o que há de importância nisso? Diante da impotência de quem poderá ver aquilo.
Categoria: Opiniao/Noticias/Curiosidades
Postado por Rivaldo R.Ribeiro às 21h16
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PARADOXO DO NOSSO TEMPO
O Paradoxo Do Nosso Tempo
Autor: Desconhecido
O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.
Temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus acadêmicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas; mais medicina, mas menos saúde.
Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma perdulária, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos.
Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos. Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho.
Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Temos mais comida, mas menos apaziguamento. Construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade.
Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra no lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, "ficadas" de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar.
É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla Del.
Obs. Texto da internet se alguém conhecer o autor favor me avisar por e-mail para o devido crédito ou se for o caso retira-lo do ar.
Categoria: MENSAGENS & REFLEXÕES
Postado por Rivaldo R.Ribeiro às 20h18
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"MENDIGO"
"MENDIGO"
(Rivaldo Roberto Ribeiro - José Bonifácio-SP)
I
Caminhante de si mesmo... Só desperto à sobrevivência, Instinto que a realidade dura não subtrairia... Olhar profundo e distante, Livre por conseqüência... Vítima de seus iguais...
Caminhante de si mesmo... No mais profundo abismo... À deriva e arrancado da sua âncora... E nas vagas ondeantes, velejava sem ânimo, movendo-se conforme o vento...
No horizonte, sozinho já no último plano, Uma imagem confusa que parecia flutuar sobre o calor do asfalto, ia para o destino de um mundo já perdido... De companhia: a lembrança das suas feridas intima. Ninguém? Foi o que vi? Desnudo fiquei... Adormecido!? Acordei...
Seu crime: nunca foi capaz de fazer mal a ninguém, Nunca soube trair, Nunca soube roubar, Nunca soube corromper, Perfeito num mundo imperfeito...
Quem somos, porque não nos reconhecemos? Quando somos arrancados da hipocrisia... E nos mostramos como somos... Fracos e dependentes uns dos outros... Então porque ignoramos a nós mesmos... mesmo abrigados lá estamos e sofremos com isso...
Num momento estamos aqui... E o futuro? Futuro distante da nossa certeza, Que a nossa arrogância encobre nossa fragilidade, Encobre nossa desunião...
II Sinto uma gratidão imensa... Deus quis que eu ficasse do lado de cá, Nem rico , nem pobre, Nem pobre, nem miserável... Mas ancorado em porto seguro...
Categoria: FICÇÃO/CRÔNICAS...
Postado por Rivaldo R.Ribeiro às 20h46
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